É Rodeio

Rodeio em Cavalos: Tradição, história e conquistas

06/05/2013

O rodeio é o esporte mais radical e emocionante do planeta. Isto todos sabem. O que a nova geração desconhece, com as raras exceções, é que tanto nos Estados Unidos (berço do rodeio), quanto no Brasil, esse esporte surgiu através das modalidades de montarias em cavalos. Na América, apesar da modalidade em touros ser a que mais chama atenção do público, em associações do rodeio completo americano e canadense o rodeio em cavalos tem o mesmo valor: competidores assediados pelo público, mercado de cavalos de pulo em alta, e muito investimento em melhoria genética dos animais, tal qual se faz com os touros de pulo. Para não deixar a história cair no esquecimento, a Revista é Rodeio apresenta um resumo das três modalidades -  Cutiano, Sela Americana e Bareback, suas regras e seus memoráveis campeões.

 

CUTIANO

Esta modalidade é exclusivamente brasileira e, apesar de ter perdido força nos últimos 10 anos, ainda continua agradando os fãs do estilo de montaria que deu origem ao rodeio brasileiro. O nome vem do próprio arreio usado na modalidade, que se diferencia dos demais por ter a frente lisa e arredondada. Ela foi originada das antigas comitivas que viajavam levando enormes boiadas, nas décadas de 40 e 50, no interior paulista. Seja para domar os animais ou simplesmente para entretenimento, os peões da época duelavam para ver quem se saia melhor sobre os animais. Daí surgiu a Festa do Peão de Barretos, pai de todos os rodeios no Brasil e que teve sua primeira competição oficial em 1956, com a vitória do prata da casa Aníbal de Araújo. Nas décadas seguintes, o Cutiano se modernizou, ganhou regras e equipamentos específicos e se manteve como a mais popular até o início da década de 90, com o boom da montaria em touros no Brasil. Devido aos altos custos de realizar várias modalidades em um mesmo evento, muitas comissões precisaram optar muitas vezes por apenas uma delas e, como não é interessante para o público ir a um rodeio e ver apenas montaria em cavalos, o rodeio em Cutiano perdeu força, sendo extinto em diversas regiões e estados brasileiros. Em 2012, estima-se que houve menos de 100 cidades que receberam competições desta modalidade, o que é lamentável, se comparado às mais de 1.000 competições anuais que haviam no final da década de 90.

Entre os peões mais famosos na história do Cutiano estão: José Ribeiro, Osmar Marchi, Laurindo Bernardes, Pedro Gomes Aragão e Valter Teixeira Vilela, que foram os competidores mais premiados e afamados da modalidade. A partir da segunda metade da década de 80, com a chegada do rodeio na TV, nomes como Jair Honório, Amarildo Francisco, Osmar Alves e o saudoso Virgílio Gonçalves tornaram-se populares entre os fãs. Desta mesma geração surgiram José Mariano, Nilton Donizete e Luis Antônio do Nascimento, que continuam até hoje em atividade. Outros supercampeões como Antonio Juscelino, Marco Antonio Silva e Wilson Martins Araújo também aparecem entre os mais premiados e conhecidos da modalidade.

 

SELA AMERICANA

O Saddle Bronc ou Sela Americana é a mais antiga modalidade do rodeio mundial. Originária do Velho Oeste americano, ela surgiu da necessidade dos peões domarem os animais para trabalhar no campo. Os primeiros registros encontrados da modalidade são de quase 150 anos atrás, em ranchos no estado do Colorado (EUA), mas foi somente na década de 20 que ela passou a ser encarada como competição, levando então o título de pioneira no esporte. Na modalidade é usado uma sela sem pito e sem bacheiro, além de uma rédea de apenas uma ‘cana’ com 1,20 metro. No primeiro pulo do animal o atleta deve estar com as duas esporas posicionadas em sua paleta, cumprindo o chamado Mark-out, caso contrário não recebe nota. A partir do segundo pulo ele deve puxar as esporas do pescoço do animal, passando pela barriga até o fim da sela. Esse estilo de montaria exige mais técnica do que esforço físico.

Nos Estados Unidos, atletas como Casey Tibbs, Monty Henson, Dan Mortensen e Billy Etbauer se tornaram ícones da modalidade. Hoje em dia, Cody Wright, Taos Muncy, Rod Hay, Cody DeMoss e Jesse Wright são os grandes destaques. No Brasil a modalidade chegou extraoficialmente no início da década de 80, quando Milton Barbosa Santiago, o famoso Djangão, retornou dos Estados Unidos trazendo alguns equipamentos e tentou ensinar as técnicas aos peões daqui. Sem muito interesse por parte das comissões e dos próprios competidores, ela não engrenou. A primeira competição oficial só veio a acontecer vários anos depois, em 1994, quando o empresário Henrique Prata conseguiu colocar a modalidade como programação na Festa do Peão de Barretos, incentivando alguns atletas a iniciarem sua prática. O primeiro campeão foi Credence da Cunha e dois anos mais tarde, também com a colaboração de Prata, foi criada a Federação Nacional de Rodeio Completo, que passou a realizar a Sela Americana e as outras sete modalidades oficiais do rodeio brasileiro em diversas cidades. Dessa primeira geração destacaram-se o próprio Henrique Prata e peões vindos também do Cutiano, como Wilson Martins Araújo, Nilton Donizete e Jair Honório. No final da década de 90, com a popularidade das modalidades do rodeio completo em alta, surge a nova geração, comandada por Leandro Baldissera e José Antonio Fazion.

 

BAREBACK

Traduzida literalmente como “em pelo”, ou seja, montaria sem sela, o Bareback se originou de uma forma mais radical de doma. Ainda na década de 30 ela foi introduzida como modalidade profissional dos rodeios e seus atletas passaram a ganhar destaque. Suas principais características é que sem sela e sem estribos, o competidor deve segurar em uma alça, feita de couro e por ficar totalmente solto sobre o animal, ele praticamente deita sobre seu lombo do cavalo. Assim como na Sela Americana, na saída do brete também deve ser realizado o mark-out para que ele obtenha nota, que deve ser dada também devido a dificuldade do animal somada com à técnica apresentada pelo atleta. Os animais usados na modalidade são rigorosamente selecionados, devem pular para frente, sem rodar, exigência que no Cutiano e na Sela Americana não existe. Nos Estados Unidos, os atletas que se tornaram mais conhecidos foram Joe Alexander, Bruce Ford, Marvin Garret e Lan LaJeunesse. Atualmente os astros da modalidade são Bobby Mote, Will Lowe e Kaycee Feild, que juntos somam nove títulos mundiais nos últimos 10 anos.

A introdução dessa modalidade no Brasil é atribuída a João Henrique Gianasi, que aprendeu as técnicas na América do Norte e, de volta ao Brasil, conseguiu colocar o Bareback nas etapas do rodeio universitário. Isto fez com que a modalidade se popularizasse e ganhasse muitos adeptos. A primeira competição oficial foi em 1996, mesmo ano em que ela também foi incorporada a extinta FNRC, chegando às arenas do rodeio profissional. Juntamente com João Henrique, destacaram-se nesta época Hender Marcos Pinto e Petrônio Andrade, que também eram universitários, além de Wilson Martins Araújo, que abraçou as três modalidades do rodeio em cavalos na década de 90. Na segunda geração o destaque foi Eduardo de Melo, o Ringo, que durante anos disputou a hegemonia da modalidade com Luiz Carlos Moreira. Já no início da década passada, começaram a se destacar nomes como André Polaquine e Vitor Baraldi, entre outros tantos que hoje estão entre os melhores do país. Assim como João Henrique e Eduardo Ringo, que deixaram as arenas há quase 10 anos, Luiz Carlos Moreira se tornou grande ícone no esporte. Com carreira internacional e títulos de campeão nos Estados Unidos e Canadá, o paulista é o mais premiado atleta da modalidade em seus quase 20 anos de história no Brasil.

 

DIFICULDADES E UMA LUZ NO HORIZONTE

Um dos fatores que sempre dificultou o crescimento do rodeio em cavalos no Brasil foi a falta de animais apropriados. O rodeio em Cutiano tem apresentado em rodeios como o de Colorado (PR) e Barretos (SP), um grande número de animais de alto nível, graças ao trabalho e dedicação de um pequeno grupo de tropeiros. O Bareback e a Sela Americana sempre exigiram animais de alto nível, e os “fora de série” levados aos rodeios sempre eram usados no Cutiano, o que contribuiu muito para que comissões organizadoras decidissem não realizar Bareback e Sela Americana.

A valorização do rodeio em cavalos começou a ser resgatada com a criação da Pro Horse, empresa que tem como objetivo capacitar os atletas, organizar as competições e encontrar bons animais. Em 2009, a Pro Horse ousou e trouxe dos Estados Unidos e Canadá um lote de 43 animais, com uma linhagem específica para rodeio. Esta atitude, aliada com os bons animais que já haviam por aqui, fortaleceu mais essas modalidades, criando competições de alto nível e incentivando o surgimento de novos praticantes. Outros 70 animais desta mesma linhagem, nascidos no Brasil há alguns anos, já estão em fase de amadurecimento e em pouco tempo estarão competindo nos rodeios em cavalos pelo país.

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